Economia

Voo Salvador-Madri promete aquecer turismo da Bahia no verão

Rota será restabelecida no fim do ano, mas os bilhetes já estão sendo comercializados

Se pudessem, Marcos Cal Amorin e a família estariam de malas prontas para viajar, sem escalas. O ex-presidente e atual Diretor Social do Clube Espanhol já traça planos para o futuro com o retorno do voo direto Salvador-Madri, suspenso pela Air Europa há mais de dois anos por causa dos impactos da pandemia da Covid-19. A rota será retomada a partir de 21 de dezembro, mas os bilhetes já estão sendo comercializados.

“É fantástico. Eu estou convocando vários familiares nossos aqui para estar lá no ano que vem, assim como tenho muitos primos e amigos que estão loucos para vir para cá novamente. Isso é muito importante. Esse tipo de voo se torna muito mais convidativo”, explica.

Para a comunidade espanhola na Bahia, estimada em cerca de 30 mil pessoas, em sua maioria nascidas na Galícia ou descendentes, a localização central de Madri deve facilitar o retorno das viagens.
Amorin cita o exemplo do pai, que chegou da Espanha na década de 1950, e tinha o hábito de visitar a terra natal anualmente. Ele conta que desde a suspensão do voo direto, em 2020, o deslocamento ficou mais desgastante.

“Meu pai já teve que pegar voos via TAP e fazer Salvador-Lisboa, depois Lisboa-Porto, e ainda mais duas horas de carro ou ônibus até chegar em casa. Já teve amigo meu que enfrentou até 16 horas para chegar a Espanha. Agora, fica muito mais fácil. Madri é um aeroporto completamente internacional. De lá, você dispara para qualquer lugar da Europa”, enfatiza.

As novas possibilidades abertas com a retomada da rota devem impactar positivamente o segmento turístico na Bahia, em especial Salvador. Bares, restaurantes, hotéis, casas de show, toda uma cadeia de produtos e serviços que será beneficiada, com incremento direto na economia.

Após dois anos de retração, para as agências de viagens a expectativa é de muito otimismo. O vice-presidente da ABAV Bahia (Associação Brasileira de Agências de Viagens), Jorge Pinto, relembra que o voo direto a Madri já foi muito importante para o faturamento do setor.

“Antes da pandemia, esse voo tinha para nossos agentes um aproveitamento acima de 70% e era muito importante junto à concorrente direta para termos tarifas competitivas. Agora, o seu retorno irá facilitar as nossas negociações e vendas. Além das vendas para Europa, teremos a chegada dos turistas, muito importante para os nossos agentes receptivos. Os voos terão aproveitamento na saída e chegada, garantindo a sua manutenção e continuidade da linha neste verão”, comemora.

Para Jorge Pinto, é preciso que o poder público continue buscando a inclusão da Bahia em novas rotas internacionais.

“A colocação de mais voos significa a abertura de novas fronteiras com poder econômico para que a Bahia volte a ser o portão de entrada do Nordeste”.

Retomada

Antes da pandemia da Covid-19, os estrangeiros representavam 40% do total de turistas que visitavam a Bahia. Desde então, esse número só fez diminuir, chegando a 24% em 2022, segundo a SETUR (Secretaria de Turismo do Estado). Mas, o voo direto entre Salvador e Madri promete mudar esse cenário com o crescimento do fluxo de estrangeiros em solo baiano por causa do verão.

“O retorno desse voo é mais um portão que se abre com a Europa. Hoje, nós temos uma ligação direta com Lisboa, mas abrindo essa rota com Madri será facilitada a chegada de europeus na Bahia, sobretudo espanhóis, franceses e italianos”, destaca o secretário de Turismo, Maurício Bacellar.

Segundo ele, o governo da Bahia tem atuado sozinho para atrair novas rotas internacionais ao realizar, por exemplo, eventos técnicos e encontros com operadoras em vários países, inclusive com a direção da Air Europa.

“O governo federal não ajuda em nada. A Embratur [Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo] não gastou um dólar na promoção do destino brasileiro no exterior nos últimos dois anos. Os esforços têm sido todos do governo do Estado”, critica.

Para Bacellar, a imagem do Brasil no mundo sofre um desgaste muito forte por causa das ações da gestão Bolsonaro, prejudicando o turismo.

“Os estrangeiros não acreditam na nossa política de imunização, na nossa política ambiental. Então, o desmatamento crescente, a violência contra os indígenas, isso tudo tem afastado o turista internacional, mas nem por isso deixamos de fazer nossa parte”, esclarece.

Credito Jornal Atarde

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