Economia

Rombo no transporte e reajuste da tarifa viram impasse para prefeitos em ano de eleição

O setor de transportes urbanos estima que o rombo acumulado na pandemia supere os R$ 21 bilhões

O prejuízo bilionário causado pela pandemia nos transportes públicos e a chegada da época do reajuste de tarifas viraram uma batata quente entre governantes do país em pleno ano eleitoral. O setor de transportes urbanos estima que o rombo acumulado na pandemia supere os R$ 21 bilhões. Apesar da melhora dos indicadores de coronavírus, a quantidade de passageiros continua aquém da crise sanitária.

Com o risco de colapso que se avizinha em algumas cidades do país, prefeitos têm feito apelos ao governo Jair Bolsonaro (PL) por um socorro ao setor.

Embora o governo Bolsonaro tenha vetado no ano passado um projeto que dava ajuda de R$ 4 bilhões para municípios com mais de 200 mil habitantes, prefeitos ainda apostam na possibilidade da União aceitar bancar as gratuidades para idosos acima de 65 anos.

Os reajustes da tarifa geralmente são feitos no começo do ano, mas São Paulo, por exemplo, já anunciou que vai esperar a ajuda federal para definir a questão. Outras cidades dos arredores, porém, anunciaram os aumentos.

O cenário desenhado por alguns prefeitos é composto pelo dilema entre manter um rombo nas contas e risco de colapso no sistema contra um cenário de caos com reajuste.

Embora não seja ano de eleição municipal, o potencial desgaste político de um aumento, ainda mais se for acompanhado de protestos em massa, tem potencial de afetar toda classe política. Essa é uma preocupação constante entre os governantes após os protestos contra a tarifa em junho de 2013, quando a popularidade da então presidente Dilma Rousseff (PT), por exemplo, caiu de 57% para 30%. A eleição de 2022 será para presidente, governador, deputados federais, estaduais e senadores.

Ainda no horizonte, fechamento de empresas, interrupções de serviços e greves de trabalhadores podem agravar a situação.

Em março de 2020, no início da pandemia, as viagens de passageiros nos sistemas de ônibus caíram 80%, de acordo com dados da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos). Em outubro deste ano, o sistema ainda não havia se recuperado, com uma queda de 37,7%.

O baque econômico se dá porque a redução da oferta é muito menor do que a de passageiros. Em outubro, por exemplo, ela era de 16,6%.

Os números melhoraram um pouco após novembro, mas, segundo estimativa do setor, enquanto a demanda está entre 75% e 90% do período pré-pandêmico, a oferta de veículos já atingiu a normalidade em algumas cidades.

“Nós pensávamos que entraríamos em 2022 com sistemas equilibrados e isso não aconteceu. A demanda ainda está aquém de 2019. Me parece que não retorna mais a 100%, há mudança de comportamento das pessoas, home office”, diz o presidente-executivo da NTU, Otávio Vieira da Cunha Filho.

Durante o período pandêmico, segundo a associação, várias empresas foram fortemente afetadas ou ficaram pelo caminho. A situação é pior no Rio, onde das 29 empresas em operação, 11 estão em recuperação judicial.

No país, houve 15 casos de suspensões das atividades, seis de encerramento e 15 recuperações judiciais. Nesse cenário, houve 344 paralisações dos serviços, em 103 sistemas de transporte diferentes.

Em meio a quebradeira, só um socorro federal poderia dar um respiro às cidades.

No dia 9, o prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB), anunciou que o governo Bolsonaro sinalizou que poderia bancar as gratuidades dos idosos acima de 65 anos -o pleito dos prefeitos se baseia no fato de que a gratuidade é um benefício garantido por lei federal.

O socorro estimado em R$ 5 bilhões viria por meio de projeto de lei, proposto pelos senadores Nelsinho Trad (PSD) e Giordano (MDB).

Crédito bocão News

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo
Fechar

AdBlocker Detectado

Por favor desative seu Ad Blocker ou nos adicione como exceção.