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Associação ameaça acionar Justiça contra mudança no circuito da folia

Comcar se reúne, nesta terça, em assembleia para formular projeto sobre a provável alteração

A polêmica envolvendo a transferência do circuito Dodô (Barra-Ondina) para a Boca do Rio ganha mais um capítulo, nesta terça-feira, 26, com o Conselho Municipal do Carnaval (Comcar) se reunindo em assembleia para formular um projeto sobre a provável mudança do circuito, criando um documento que será enviado à Prefeitura de Salvador. No entanto, caso a proposta seja aceita, o movimento SOS Carnaval Salvador – formado por moradores da capital baiana, artistas e turistas -, afirmou que irá acionar a Justiça contra a Prefeitura.

O que eles querem é segregar e elitizar ainda mais o Carnaval. Se a Prefeitura concordar com essa mudança, vamos acionar tanto o Ministério Público, quanto o poder legislativo de Salvador. Os únicos beneficiados com isso são as construtoras, os empreiteiros e os políticos ligados à construção civil. O interesse deles é edificar aquela região com prédios e hotéis, muitos que já estão sendo construídos, e então lucrar com o Carnaval. Eles estão usando a desculpa de que o Carnaval da Barra está muito cheio, sendo que o problema real é: quando se pensa apenas em dinheiro, você não busca solução”, enfatiza o membro do SOS Carnaval de Salvador, morador da Barra e empresário, Mauricio Mordechay.

Ele explica que existem muitas soluções e mudanças que podem ser feitas no Circuito Dodô para melhorar a festa na região. Uma delas, por exemplo, seria criar um maior espaçamento entre os grandes trios, intercalando eles com os menores e populares, diminuindo a aglomeração de pessoas, ou ainda distribuindo melhor esses trios, já que o Campo Grande recebe poucos deles. “Eles dizem que a região será a nova Barra, mas nunca será. A Boca do Rio não tem a atratividade natural, histórica e turística que o Circuito Dodô tem. E quem sai realmente perdendo nisso é o folião pipoca, o preto pobre que não vai ter condição de curtir um Carnaval de camarotes e trios caros”, salienta
Maurício Mordechay ainda pontua que essa mudança também irá gerar impacto nos outros circuitos, já que muitos foliões circulam entre a Barra e o Campo Grande, e entre o Campo Grande e o Pelourinho durante as festas. “Vai terminar de matar o Carnaval nos outros circuitos, que ano após ano ficam mais ociosos e com menor público”, argumenta ele.

Opiniões

O presidente do Comcar, Joaquim Nery, no entanto, afirma que apesar deste ser um argumento a se levar em consideração, não é um dos mais importantes. “Desde a última assembleia que realizamos no dia 15 de junho, decidimos levar essa discussão para a população. Então, procuramos falar com os moradores da Barra através das associações de moradores, com hoteleiros e comerciantes da região, representantes de blocos e camarotes, além da população em geral, esse grupo de forma mais informal através das publicações dos veículos de comunicação sobre o assunto e as respostas das pessoas a elas. Tudo isso para ter a posição deles quanto a essa mudança e vamos trazer todos esses dados e informações para o encontro desta terça, e a partir disso o conselho vai montar o projeto para o Carnaval de 2023”, explica.

Ele salienta ainda, que essa decisão tem caráter de urgência, pois o preparo do Carnaval leva tempo e o ideal é que isso tivesse sido decidido já no início de 2022, em fevereiro. “Considero muito positivo que o Carnaval de Salvador tenha voltado a ser um tópico de discussão e que a população esteja criando opiniões sobre isso. Porém, a sensação de urgência é real, não é só sobre fazer render, é sobre montar uma estrutura e ter um plano pronto para poder mostrar às pessoas e convencer a população de forma positiva, mostrando como o Carnaval realmente será”, detalha o presidente do Comcar.

Em nota, a prefeitura de Salvador explicou que está aguardando o projeto de uma possível mudança do circuito ser apresentado pelo Conselho Municipal do Carnaval, para só então avaliar se há alguma viabilidade da execução de uma mudança na folia de Salvador ou não.

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