Politica

Chance de 2º turno e baixo desempenho de Denice exigem atuação de Rui e Neto na disputa por Salvador

A divulgação da pesquisa eleitoral apontando liderança de Bruno Reis (DEM), com média de 30%, na disputa pela prefeitura de Salvador levou articuladores partidários a fazerem uma atualização nas projeções desenhadas até então e estudarem novas composições, especialmente diante da possibilidade de segundo turno.

A performance ainda tímida de Denice Santiago (PT), candidata do governador Rui Costa (PT) e principal opositora de Reis, com apenas 4%, foi vista internamente como “normal” dentro das condições de temperatura e pressão que a pandemia coloca sobe o jogo eleitoral.

Porém, acendeu uma luz amarela para a necessidade de mudanças no tom da pré-campanha e na relação política com outros postulantes da base do governador que apresentaram percentuais melhores que ela, como o deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante), com 16%, e a deputada federal Lídice da Mata (PSB), com 11%, em um dos cenários da pesquisa RealTime BigData, encomendada pela Record TV Itapoan e divulgada nesta quarta-feira (5).

Os números preliminares apontaram para a realização de segundo turno, com o detalhe que a margem de votos brancos e nulos e daqueles que não souberam responder ficou igual ou superior ao percentual conquistado por Bruno Reis. No primeiro cenário da estimulada [quando os nomes são apresentados aos entrevistados] eles formam 30%, tal como Reis, e no segundo sobem para 36% contra 32% do demista.

Na pesquisa espontânea, quando Bruno teve apenas 8% e Denice sequer foi lembrada, chama a atenção o percentual de 60% dos entrevistados que não souberam responder, o que reforça no campo oposicionista a esperança de que a disputa se dê em duas etapas.

No campo de aliados do prefeito do prefeito ACM Neto (DEM) sobrou euforia e prognóstico de vitória em primeiro turno, mas ele mesmo colocou freios sobre a agitação, ainda que trabalhe para evitar o segundo turno.

A avaliação de aliados é que Reis, mesmo sendo “desconhecido do povão”, conseguiu pontuar duas vezes mais que o segundo colocado, Isidório. A estimativa do grupo é que os números vão melhorar quando houver uma menção mais direta de que ele é o candidato de Neto.

Resguardadas as proporções, há quem use como exemplo a máxima “Lula é Haddad, Haddad é Lula” – associação que impulsionou o petista na jornada presidencial de 2018 – para prevê crescimento de Bruno. “Neto é Bruno, Bruno é Neto” ensaiam.

Os pré-candidatos da oposição também anseiam ter a “benção” e a participação mais expressiva do governador Rui Costa em Salvador, mas a escolha monocrática que ele fez por Denice Santiago esvazia a expectativa de uma articulação mais ampla.

Olívia Santana, que marcou 7%, tenta contornar a falta de apoio do Palácio de Ondina com uma aliança fechada com o PP, do vice-governador João Leão. Eleusa Coronel (PSD), com 1%, e Barcelar (Podemos), com 2%, mantêm pré-candidaturas protocolares. Este último, porém, está com passe encaminhado para declarar apoio a Reis, assim como o PDT e o PL que ainda estão oficialmente na base do governo estadual.

Reservadamente, um interlocutor mostrou descrença sobre uma nova estratégia do time de Rui. “O jogo vai ser bagunçado até o final. Vamos passar vergonha de novo”, reclamou, referindo à disputa de 2016, quando ACM Neto foi reeleito folgadamente com 73,99% dos votos.

Se não decolar em voo solo, Denice pode ser sugerida para compor a vice de algum aliado, embora essa música não soe agradável aos ouvidos PT – cuja ambição é ter candidatura própria.

Mas, contraditoriamente, os nomes do governo Rui que apresentaram melhor desempenho na pesquisa são também os que carregam os maiores índices de rejeição: Pastor Sargento Isidório com 26% e Lídice da Mata com 15%.

A menor taxa de rejeição (1%) ficou com o pré-candidato pelo PRTB, Cezar Leite. Nos dois cenários da pesquisa estimulada 3% dos entrevistados afirmaram que votariam nele para prefeito de Salvador. Leite militou no MBL, foi filiado ao PSDB e hoje reproduz a narrativa do presidente Jair Bolsonaro, mas enfrenta resistência em alguns grupos bolsonaristas locais.

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Fonte: BNews

 

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